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Duas Faces

por TM, em 05.11.07

E segue a história...

 

Angelito começou por sentir e por perceber que a vida não era um paraíso e um mundo apenas de diversão consoante a sua idade ia avançando. A sua vida viria a ficar marcada para sempre pela forma como reagiu e agiu em algumas situações problemáticas e delicadas, e foram essas atitudes que fizeram dele uma pessoa cada vez mais respeitada dentro do seu próprio círculo familiar e de amigos.

Talvez a primeira situação que afectou verdadeiramente o pequeno argentino tenha sido a doença que afectou o seu avô, pessoa que sempre admirou e respeitou por tudo o que representava como homem experiente e que fazia o possível para conseguir um dia a dia cada vez melhor para si e para os seus. Um problema na garganta viria a revelar-se assustador para uma família até ali livre de problemas de saúde de grande gravidade. Todos se demonstraram muito alarmados com o que se passava, mas Angelito, apesar de ainda ser um adolescente, demonstrava uma calma e uma tranquilidade em relação ao assunto que o próprio se cheogu a questionar sobre a importância que lhe dava. Mas ele era mesmo assim, calmo, determinado, confiante e optimista! Sempre disse que tudo iria correr bem, quando todos os outros temiam o pior. E permaneceu calmo e sereno…até ao dia que se seguiu à operação do avô. As boas notícias tinham chegado no dia seguinte, a operação correra bem e adivinhava-se boas possibilidades de sucesso. Ao ouvir tais palavras Angelito sorria, feliz por ter tido uma atitude coerente e que felizmente se viria a revelar acertada. Mas no dia da visita, os sentimentos foram mais fortes do que o próprio rapaz podia esperar. Ao entrar na sala de hospital onde se encontrava o avô e ao avistá-lo deitado na maca, tudo permanecia, ainda que por pouco tempo, tranquilo. Depois, com o aproximar das pessoas, o avô de Angelito começou a ficar num estado de nervos tal, devido às suas limitações, que o rapaz não conseguiu suster as lágrimas, muitas, que lhe iam escorrendo pelo rosto. Ao ver ali, a pessoa que se habituou a respeitar e a ouvir, num momento de tão grande debilidade, Angelito chorou como poucas vezes o fez na sua vida. Chorou por si, pelo seu avô, por tudo! Talvez tenha aproveitado essa oportunidade para fazer aquilo que já devia e podia ter feito à mais tempo, exteriorizar os sentimentos que toda aquela situação lhe provocava. E ali ficou, durante toda a visita, ao lado do avô, como seu fiel escudeiro, tentando ajudá-lo a atenuar o seu sofrimento que querer falar e não poder, o que lhe causava uma enorme aflição, mas também aqueles que o rodeavam.

Aqui Angelito começa por mostrar as suas duas faces, ou seja, o seu lado frio, calculista, matemático quase, e o seu lado emotivo, apaixonado, intempestivo! A sua mãe dizia-lhe várias vezes que era um rapaz frio, o que o deixava sempre desgostoso. Defendia-se, dizia que apenas analisava as questões da maneira mais correcta possível, não deixando que a emotividade distorça o certo e o errado e o leve a tomar uma decisão errada. Para ele tudo se resumia a decidir bem o que fazer, a tomar a atitude correcta, a fazer aquilo que deve ser feito e a intervir na altura certa para que algo de mau não venha a acontecer ou pare de acontecer. E foram muitas as vezes que Angelito o fez, sempre com a convicção de que estava a fazer o bem, mesmo quando era criticado por alguns!

Este foi talvez o episódio da vida do argentino que o fez “crescer” mais, quando ainda era um adolescente. Outros episódios, bons e maus, viriam a fazer com que “cresce-se” ainda mais e aprende-se que realmente, como muitos dizem, a vida é uma puta!

 

Saudações Literárias

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Publicado às 21:38


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