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O "Tiki-Taka" não pode morrer!

por TM, em 19.06.14

Quiseram chamar tiki-taka a este estilo de jogo ao qual prefiro chamar posse de bola com inteligência! E depois de uma época falhada do Barça e do culminar da eliminação da Espanha neste Mundial, diz-se por aí que este estilo ruiu finalmente! Não vou por aí e prefiro tentar perceber o que provocou estes maus resultados e as principais razões que podem tornar difícil que volte a imperar no futebol europeu e mundial, algo que ainda assim não me parece de todo impossível.

Antes de mais, parece-me importante definir quais são, a meu ver, os principais alicerces deste estilo: inteligência, controlo mental, confiança nos companheiros, qualidade de passe, cultura táctica e claro, qualidade técnica. O traço mais importante deixado pelo legado deste estilo é que definitivamente, o futebol não se joga com os pés mas sim com a cabeça (cérebro)! E só depois com os pés...

No Barça vimos uma época em que Xavi, um dos principais motores do estilo esteve muitos furos abaixo. A idade aliada a alguma cansaço mental e claro, à troca no comando técnico da equipa, incapaz de motivar os níveis ideais de aprendizagem e evolução no treino para o jogo, levaram a uma época má não só de Xavi, mas também de Messi, Busquets, Piqué... E não é muito difícil perceber que estes mesmos jogadores não são só importantes no Barcelona mas também... na Selecção Espanha (excluindo Messi claro)!

"La Roja" foi sempre um pouco o espelho do Barça, ainda que com as devidas diferenças (sem dois pivots defensivos o Barcelona, ainda que Xabi Alonso com liberdade na Selecção para evoluir em outros terrenos). A base dos catalães alimentou o sucesso espanhol e o modelo de Guardiola serviu não só o clube como o país (ainda que a 1ª vitória tenha ocorrido exactamente antes do aparecimento de Pep como treinador do Barça). Mas passaram 6 anos desde a primeira conquista e naturalmente, os jogadores vão envelhecendo. Ainda que o mais importante, como referi antes, seja o intelecto, a verdade é que esse mesmo intelecto também sofreu evoluções pelo enorme número de conquistas, não só pelos records obtidos pela Espanha, mas também por Barcelona e Real Madrid (o outro grande fornecedor da equipa nacional).

Para além deste cansaço mental, vários questões podem ser abordadas e encaradas como passíveis de terem contribuído para estes maus resultados: inclusão de Diego Costa, que poderá ter tido pouca receptividade por parte dos companheiros (ainda que em 2008 Senna fosse titular no meio campo campeão europeu, onde ainda não aparecia Busquets), a titularidade de Casillas mesmo não sendo titular do seu clube e levando ao afastamento do titular Diego López, numa clara lógica de não levantar conflitos, constante discussão sobre a posição de avançado centro o que resultou na insistência no ponta de lança do Atlético de Madrid, nada habituado ao estilo de jogo espanhol e ainda o hype de alguns jogadores claramente sobrevalorizados (a campanha para tentar entregar a Bola de Ouro a Sérgio Ramos só se tornou ainda mais ridícula pela prestação da Espanha neste Mundial, ele que tantos erros cometeu e tanto contribuiu para esta eliminação precoce).

E por último, os adversários! A Espanha venceu o 1º Europeu com relativa facilidade (ultrapassou com maior dificuldade a Itália nos penaltys e na final a Alemanha por 1 a 0) e apenas com Senna como pivot sendo que com o aparecimento de Busquets, em 2010 evoluiu para uma equipa ligeiramente, com maior ocupação do espaço central, o que voltou a acontecer em 2012 (de forma mais intensa até pela questões do ponta de lança) e agora, perante este fracasso é apontado como a principal causa dos mais resultados (alguém se está a esquecer que mesmo com Busquets e Xabi juntos, a Espanha venceu um título Mundial e um título Europeu). Agora, em 2010 as coisas não começaram bem, com uma derrota e as vitórias foram aparecendo à base da capacidade de não sofrer golos e de vitórias pela margem mínima, com especial destaque para o 1 a 0 frente ao Paraguai em que inclusivamente Cardozo falhou uma grande penalidade que podia ter deixado, já na 2ª parte, os espanhóis a perder. E claro, quem não se lembra do falhanço de Robben isolado frente a Casillas na final? E em 2012, grandes dificuldades para garantir o apuramento na última jornada frente à Croácia, vitórias nas grandes penalidades frente a Portugal (ainda que para esse jogo os espanhóis tenham tido menos dois dias de descanso) e depois sim, demonstração de força na final com vitória por 4 a 0 sobre a Itália. Mas isto para dizer que, o caminho de vitórias não foi fácil e construído nos detalhes. Uma bola ligeiramente mais desviada, para dentro ou para fora e talvez esta geração se tivesse ficado apenas pelo europeu de 2008...

Resta dizer ainda assim que este estilo deu a todos nós a melhor equipa da história do futebol, o Barcelona de Guardiola, e a melhor selecção da história, a Espanha! Mesmo que ontem fosse o fim de um estilo, ele já teria o seu legado muitíssimo vincado na história deste desporto incrível!

Cabe agora a palavra a Luís Enrique (tenho algumas dúvidas que o estilo se mantenha no Barça, pelo menos pelos nomes que têm sido falados para reforçar a equipa), a Del Bosque ou a quem lhe suceder e claro ao mentor Pep Guardiola que apesar de uma época positiva acabou por ceder a pressões, alterar alguns aspectos fundamentais do seu estilo e ser eliminado de forma clara na Liga dos Campeões. Mas digam lá se há algo mais bonito do que assistir a tudo isto e viver para o contar?

 

"A derrota tem algo positivo: nunca é definitiva. Em contrapartida, a vitória tem algo negativo: nunca é definitiva." - José Saramago

 

Saudações Desportivas

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Publicado às 09:58



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