Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Memória dolorosa

por TM, em 12.11.12

Poucas coisas doem mais que a memória. Surge sem piedade e arrebatadora, controlando-nos o pensamento e, muitas vezes, impedindo-nos de seguir em frente. É presença assídua e constante no nosso dia a dia e o mais difícil é evitá-la. Lido com ela todos os dias, para o bem e para o mal, provavelmente muito mais vezes para o mal.

Isto a propósito de uma conversa natural que hoje aconteceu e me fez relembrar os poucos torneios de futebol em que participei. Foram 3 e todos recentes. Veio à memória porque efectivamente tenho saudades de um torneio desses, com tudo de bom que trazem, principalmente entre amigos. Uma entreajuda e um companheirismo puro, que se nota num esforço comum por um objectivo de todos, o sucesso da equipa! Se no primeiro de todos, a equipa se encontrava mais fragmentada e a própria organização era mais fraca, nos outros dois tudo correu de forma mais normal e em sintonia com aquilo que deve ser uma equipa. Ainda assim, nos 3, existiram momentos que nunca mais vou esquecer, a grande maioria positivos mas infelizmente e como é natural, alguns negativos e aos quais provavelmente dou mais importância. A primeira presença em torneios teve uma vitória para não mais esquecer nos penaltys, num jogo muito difícil mas que até pelo adversário, nos fez superar ao máximo. Participei nos dois lances que resultaram em golo e levamos o jogo para os penaltys, onde converti um dos pontapés, cabendo ao nosso guarda-redes uma defesa importantíssima, capitalizada posteriormente na vitória pelo remate certeiro do meu irmão desta vida! Uma alegria imensa, numa equipa que apesar de tudo, foi um orgulho capitanear.

No 2º, após uma excelente campanha, contra todas as previsões, acabamos eliminados nas meias-finais, nas grandes penalidades e depois de desperdiçarmos a vantagem a poucos segundos do fim, num lance em que devia ter precavido o perigo e ter recuado para o nosso meio campo (como é tão normal em mim...). Quase inexplicavelmente não o fiz, quando até o tinha dito a um companheiro de equipa, pois fiquei na expectativa de conseguir recuperar uma bola. Não consegui e perante o desequilíbrio defensivo, sofremos o golo que nos levou aos penaltys e à eliminação, falhando a presença na final que tanto pretendia (também neste torneio marquei um penalty, convertido apesar de mal marcado)... Num torneio que se iniciou no dia seguinte a uma data muito triste e a um momento pessoal difícil, e em relação ao qual me dediquei como sempre de alma e coração, ainda mais pelas razões agora referidas. Foi uma fase de grande exigência em termos de liderança e onde penso que marquei uma posição em relação aqueles que comigo se dedicaram a esta competição, defendendo sempre os interesses dos meus companheiros. Um momento forte de aprendizagem e de evolução, que não mais vou esquecer, mas que tanto me atormenta por não ter conseguido jogar a final e claro, vencê-la! O objectivo que era tão importante para mim...

O último torneio foi relativamente curto mas com a presença de amigos tão importantes que era quase impossível ser melhor! Vencemos um jogo super difícil nos Quartos-de-Final, de novo nas grandes penalidades, onde desta vez falhei o penalty que nos podia ter eliminado. Felizmente, uma grande exibição do nosso guarda-redes colocou-nos nas Meias-Finais, onde voltamos a defrontar uma grande equipa e que nos colocou muitas dificuldades. Mas com uma prestação de grande nível, uma união excepcional e entrega e entreajuda notáveis, colocámo-nos duas vezes em vantagem, tendo apenas claudicado nos minutos finais, com um golo de ressalto num livre e em fase de desespero, sofrendo a estocada final quando já jogávamos com guarda-redes avançado. Neste jogo, com o resultado em 2 a 2, desperdicei uma grande ocasião, isolado, para dar de novo vantagem à nossa equipa. Lamentavelmente, rematei ao lado e o resultado acabou por cair para o lado do adversário, tendo sido eliminados apesar da enorme prestação de todos e que merecia melhor sorte.

Recordações e memórias com tantas coisas boas, mas onde não consigo deixar de pensar nas coisas más. Do que fiz de negativo e do que sei, podia ter feito melhor e teria provavelmente mudado o rumo dos acontecimentos.

Tudo isto é apenas uma pequena parte da minha vida como pode ser da vida de outra pessoa. Imaginem agora coisas verdadeiramente mais importantes, onde se decidem vidas, trabalhos, investimentos... A memória, no ponto do negativismo e dos remorsos é capaz de atormentar qualquer um a níveis muito elevados. E capaz de destruir a vida de tantas e tantas pessoas, que são incapazes de evoluir e ultrapassar estas memórias negativas. Tem tanto de bom ter memória, menos quando esta é a mais dolorosa das dores...

 

Saudações Blogueiras

Autoria e outros dados (tags, etc)

Publicado às 18:16



"What they did to me... What I am... Can't be undone!"


calendário

Novembro 2012

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930