A época futebolística nacional vai avançando e com o passar das jornadas é possível clarificar aquilo que no início muitos previram: dois candidatos ao título, um enfraquecido em relação à época passada avassaladora e outro mais constante e melhorado em relação ao ano anterior. O Sporting, com a reviravolta em Paços de Ferreira acabou por conseguir uma série de vitórias que empolgaram os seus adeptos e deixaram o clube a 1 ponto da liderança do campeonato. Mas claro, depois da bonança, vieram os jogos mais difíceis, os adversários de maior valia. E mesmo reforçado e melhor em relação aos últimos anos, este grupo de jogadores e equipa técnica não foi capaz de se superiorizar e foi perdendo pontos, chama, e entrou numa espiral de descrença que pode voltar a fazer com que a época 2011/2012 seja também para esquecer.
Grande parte da crença foi depositada na contratação de Domingos Paciência para treinador. Um trabalho interessante na Académica e ainda melhor no Braga foram o trampolim para Alvalade. Mas naturalmente, as obrigações são outras. E efectivamente, herdar uma equipa de Jorge Jesus, no caso do Braga, ou de Paulo Sérgio no caso leonino, é muito diferente. Fui lendo muitas opiniões sobre o trabalho de Domingos no Braga, situação onde muitos defendiam que o sucesso se devia à base deixada por Jesus. Reconheço ao ex ponta de lança do Porto algumas virtudes mas penso que neste momento é um treinador sem rumo ou que simplesmente já tem esse rumo traçado (e a passagem por Alvalade é mesmo só mais um trampolim para voltar ao Norte do País...). A maneira pouco justificável como defende Bojinov e a aposta no jogador, colocando de seguida Ribas a titular logo após ser contratado, como dá a titularidade a Renato Neto contra o Porto para depois o deixar fora dos convocados, André Santos ostracizado e que ontem ia ficar fora dos 18 para o jogo em Olhão mas devido à ausência de Schaars acaba por ser suplente utilizado, o apagão muito estranho de Diego Rubio, a insistência em Diego Capel sobre a ala direita... são várias questões às quais as respostas de Domingos são no mínimo vagas. Prefere invariavelmente atirar em várias direcções, sobre jornalistas, críticos, jogadores, adversários, árbitros. Mas vai sobrevivendo e parece que para os adeptos sportinguistas o treinador não está em causa, ajudado e muito pela boa imprensa nacional que o colocou num patamar que talvez não seja justificável (apesar de efectivamente ter feito bons trabalhos por onde passou).
Os próximos jogos serão decisivos para ver se Domingos continua a ser intocável na estrutura do Sporting. Para mim, neste momento, está longe de não ser parte do problema. Ainda que, apesar de algumas contratações de valor, se tenha exagerado nos elogios a jogadores que enquanto tiveram gás foram importantes, mas acabadas as pilhas deixaram a equipa á deriva e sem soluções. Veremos o caminho que é feito até ao jogo da 2ª Mão das Meias-Finais da Taça de Portugal contra o Nacional na Madeira. Uma eliminação aí poderá significar um rápido regresso ao seu clube de eleição (até porque o campeonato azul e branco pode por essa altura ficar numa posição bastante complicada). Mas mesmo uma passagem à final do Jamor poderá não ser mais do que o adiar do despedimento num Domingo qualquer...
Saudações Desportivas
